Rui Pereira desmente «ideia absurda de que os polícias não podem usar armas» e anuncia «aumento real» do orçamento para a segurança 
A PSP e a GNR têm ao seu dispor dez mil novas armas. As Glock 19, de 9mm, vão substituir progressivamente as Walther PP. Até 2012 serão distribuídas um total de 42 mil pelas forças de segurança, garantiu o ministro da Administração Interna, que entregou simbolicamente algumas dezenas das modernas pistolas a representantes de diversos sectores policiais, numa cerimónia realizada nas instalações da Unidade Especial de Polícia, em Belas.
Rui Pereira garantiu ainda que no próximo orçamento será assegurado «um aumento real» para a área da segurança. Perante os agentes, o governante desmentiu ainda «a ideia absurda de que os polícias não podem usar armas».
«Para enfrentar a criminalidade violenta e grave as forças de segurança têm de estar devidamente equipadas e armadas e tudo faremos para que assim seja», frisou o ministro. E acrescentou: «Por isso mesmo aprovámos em 2006 uma lei de programação das forças de segurança, que permite até 2012 duplicar o investimento nas forças de segurança. Duplicá-lo para novas instalações, para comprar novas viaturas, para comprar 42 mil novas armas, para adquirir meios de comunicação e material informático».
Rui Pereira realçou ainda a aprovação do novo regime jurídico das armas, que aconteceu esta quinta-feira, e que prevê a aplicação da prisão preventiva em todos os casos de crimes cometidos com detenção ou com recurso a arma proibida.
«A cerimónia a que hoje assistimos tem um elevado significado. Tem o significado de mostrar na prática em que mãos devem estar as armas no estado de direito democrático», sublinhou esta sexta-feira, na sua intervenção. «Hoje demos um passo simbólico também no desenvolvimento da nossa política em relação a armas e esse passo consistiu na entrega de cerca de dez mil novas armas, 9mm, às duas forças de segurança, à GNR e à PSP».
A entrega destas armas, que estava prevista para 2007, acabou por ser adiado por motivos de natureza técnica, como a introdução de uma patilha segurança e alterações no coldre. «Foi necessário satisfazer todas as exigências das forças de segurança», justificou Rui Pereira.
Apoio «na utilização das armas»
Rui Pereira teceu ainda um elogio às forças de segurança, de forma especial devido as operações mais recentes. «Nestas acções preventivas que têm sido desenvolvidas, os resultados têm sido expressivos: centenas de detidos, e muitos deles por crimes relacionados com posse de armas, muitas dezenas de armas ilegais apreendidas, milhares de munições, vastas quantidades de droga», apontou. «As forças de segurança têm dado provas que estão realmente disponíveis para este combate contra a criminalidade mais violenta e grave».
«Da parte do vosso ministro podeis estar certos que o Governo tudo fará para continuar a estar ao vosso lado, em palavras e em actos, apoiando-vos na utilização das armas, dando orientações claras, desmentindo a ideia absurda que os polícias não podem usar armas em legítima defesa, própria ou alheia», sublinhou.
A Glock 19 é de fabrico austríaco. O calibre de 9x19mm é uma das características superiores à Walther PP (7.65x17mm). Além disso, a nova pistola é mais leve (605g contra 682g, sem carregador) e pode levar 15 munições, mais sete do que a Walther, de origem alemã.