Da Agência Brasil
O hábito de substituir o jantar por um lanche, assimilado por famílias urbanas brasileiras nas últimas décadas, pode ter reflexo nos índices de anemia entre a população, enfatizou a coordenadora da Política de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Ana Beatriz Vasconcelos, ao apresentar hoje (24) dados da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher, levantamento realizado pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), financiada com recursos do Ministério da Saúde.
Mais de 20% das crianças brasileiras com menos de 5 anos apresentam quadro de anemia. Essa é uma das conclusões da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher, levantamento realizado pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), financiado com recursos do Ministério da Saúde.
O levantamento também analisou a deficiência de vitamina A e constatou a doença em 17% das crianças pesquisadas. Já a anemia em mulheres em idade fértil atingiu um índice ainda maior que o encontrado em crianças: 29,9%. No caso de deficiência de vitamina A entre mulheres, o índice nacional se fixou em 12,3%. Leia mais
Para Ana Beatriz, as causas da anemia e da deficiência de vitamina A registradas pela pesquisa estão relacionadas mais
à falta de hábitos alimentares adequados do que a falta de alimentos.
"Não estamos falando aqui de fome porque não estamos falando de subnutrição ou obesidade. Estamos falando de hábitos alimentares e de possibilidade de escolha dos alimentos certos", destacou. "A gente sabe e estudos mostram que crianças que almoçam e jantam todos os dias, que comem arroz, feijão e carne, estão mais protegidas em relação à anemia do que as que substituem seus jantares por lanches, ou por refeições lácteas ou por outro tipo de alimentos", explicou Ana Beatriz.
O estudo demonstrou para as duas doenças um quadro muito mais ameno nas áreas rurais em relação às áreas urbanas. Enquanto nas cidades a anemia registrada foi de 23,1% dos domicílios pesquisados, na área rural, a doença provocada por falta de assimilação do ferro no organismo atingiu 12,5% das casas.
Também em relação à carência de vitamina A, o campo apresentou vantagens. Das casas pesquisadas na cidade, 18,5% tinham crianças ou mulheres com a deficiência. Na área rural esse índice foi de 13,1%
"Quando a gente encontra uma situação melhor na área rural do que na área urbana, a gente conclui que alguma coisa está acontecendo no campo que não está acontecendo na cidade. Certamente encontramos na área rural um padrão menos industrializado de dieta que o encontrado na área urbana. A dieta mais saudável, menos processada é mais protetora. No caso das crianças, isso já está comprovado, não há mais dúvida sobre isso", destacou Ana Beatriz.
Ela enfatizou que medidas alimentares simples são capazes de mudar o perfil nutricional da população. "Existem coisas que são muito simples de serem feitas, que não exigem muita mobilização, mas que precisam ser feitas na rede de saúde", completou.
Outra motivação apontada por Ana Beatriz como uma possível causa para a anemia é a ingestão de leite por crianças após as refeições.
"O cálcio presente no leite é um inibidor da absorção de ferro. Crianças que fazem sua refeição e imediatamente tomam um copo de leite diminuem a capacidade de absorção de ferro da dieta. São orientações que fazem parte da conduta em relação às crianças e na conduta que as mães devem adotar em relação a elas mesmas", enfatizou.
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