Autor Tópico: As fábulas de La Fontaine e Esopo  (Lida 155870 vezes)

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As fábulas de La Fontaine e Esopo
« em: 04 de Fevereiro de 2005 - 19:22 »
Jean de La Fontaine (1621-95) nasceu na França, numa família que não chegava a ser rica, mas tinha posses. O pai queira que ele fosse advogado. Mas alguns mecenas (homens ricos e nobres que patrocinavam os artistas) se interessaram por ele. Assim, La Fontaine pôde se dedicar à carreira literária. Os livros de literatura adulta não sobreviveram. Suas fábulas, entretanto, escritas em versos elegantes, deram-lhe enorme popularidade. “Sirvo-me dos animais para instruir os homens”, dizia. Os animais simbolizavam os homens, suas manias e seus defeitos.

La Fontaine reeditou muitas das fábulas clássicas de Esopo, o pai do gênero. Da vida de Esopo, pouco se sabe. Provavelmente viveu na Grécia no século VI a.C. Ele seria escravo, corcunda e gago. Teria sido executado por haver cometido o crime de blasfêmia. Suas fábulas são curtas, bem-humoradas e trazem sempre uma moral no fim.

As mais famosas são: “A gansa dos ovos de ouro” (e não a galinha) e “A lebre e a tartaruga”.


A reunião geral dos ratos


Uma vez os ratos, que viviam com medo de um gato, resolveram fazer uma reunião para encontrar um jeito de acabar com aquele transtorno. Muitos planos foram discutidos e abandonados. No fim, um rato jovem levantou-se e deu a idéia de pendurar uma sineta no pescoço do gato; assim, sempre que o gato chegasse perto eles ouviriam a sineta e poderiam fugir correndo. Todo mundo bateu palmas: o problema estava resolvido. Vendo aquilo, um rato velho que tinha ficado o tempo todo calado levantou-se de seu canto. O rato falou que o plano era muito inteligente, que com toda certeza as preocupações deles tinham chegado ao fim. Só faltava uma coisa: quem iria pendurar a sineta no pescoço do gato?
Moral: Inventar é uma coisa, fazer é outra.

 :yeah:


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Re: As fábulas de La Fontaine e Esopo
« Responder #1 em: 05 de Fevereiro de 2005 - 18:56 »
A Raposa e a Cegonha
Fábula de La Fontaine

A Raposa convidou a Cegonha para jantar e lhe serviu sopa em um prato raso.

-Você não está gostando de minha sopa? - Perguntou, enquanto a cegonha bicava o líquido sem sucesso.

- Como posso gostar? - A Cegonha respondeu. vendo a Raposa lamber a sopa que lhe pareceu deliciosa.

Dias depois foi a vez da cegonha convidar a Raposa para comer na beira da Lagoa, serviu então a sopa num jarro largo embaixo e estreito em cima.

- Hummmm, deliciosa! - Exclamou a Cegonha, enfiando o comprido bico pelo gargalo - Você não acha?

A Raposa não achava nada nem podia achar, pois seu focinho não passava pelo gargalo estreito do jarro. Tentou mais uma ou duas vezes e se despediu de mau humor, achando que por algum motivo aquilo não era nada engraçado.

MORAL: às vezes recebemos na mesma moeda por tudo aquilo que fazemos.

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Re: As fábulas de La Fontaine e Esopo
« Responder #2 em: 06 de Fevereiro de 2005 - 19:56 »

Esopo

Certa manhã, um fazendeiro descobriu que sua galinha tinha posto um ovo de ouro. Apanhou o ovo, correu para casa, mostrou-o à mulher, dizendo:

_ Veja! Estamos ricos!

Levou o ovo ao mercado e vendeu-o por um bom preço.

Na manhã seguinte, a galinha pôs outro ovo de ouro, que o fazendeiro vendeu a melhor preço. E assim aconteceu durante muitos dias. Mas, quanto mais rico ficava o fazendeiro, mais dinheiro queria. E pensou:

"Se esta galinha põe ovos de ouro, dentro dela deve haver um tesouro!"

Matou a galinha e, por dentro, ela era igual a qualquer outra.

Moral: Quem tudo quer tudo perde.

Offline Chapoquinha

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Re: As fábulas de La Fontaine e Esopo
« Responder #3 em: 06 de Fevereiro de 2005 - 21:08 »
Cara, o legal de fábulas é que são super simples, infantis mesmo, e com morais que você carrega pra resto da vida! Qua saudades lendo esse tópico! Como li fábulas quando criança!
Deixo uma de Monteiro Lobato para vocês, aproveitando o tópico:

A Raposa e as Uvas

Certa raposa esfaimada encontrou uma parreira carregadinha de lindos cachos maduros, coisas de fazer vir água na boca. Mas tão altos, que nem pulando.
O matreiro bicho torceu o focinho:
- Estão verdes - murmurou. - Uvas verdes, só para cachorros.
E foi-se.
Nisto, deu o vento e uma folha caiu.
A raposa, ouvindo o barulhinho, voltou depressa, e pôs-se a farejar.

Quem desdenha quer comprar.
.::º::.Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez.::º::.[/color][/size]

Offline Chapoquinha

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Re: As fábulas de La Fontaine e Esopo
« Responder #4 em: 06 de Fevereiro de 2005 - 21:10 »
Outra que achei^^

Liga das Nações

     Gato-do-mato, jaguatirica e irara receberam um convite da onça para constituírem a Liga das Nações.
    - Aliemo-nos e cacemos juntos, repartindo a presa irmãmente, de acordo com os nossos direitos.
    - Muito bem! - exclamaram os convidados. - Isso resolve todos os problemas da nossa vida.
    E sem demora puseram-se a fazer a experiência do novo sistema. Corre que corre, cerca daqui, cerca dali, caiu-lhes nas unhas um pobre veado. Diz a onça:
    - Já que somos quatro, toca a reparti-lo em quatro pedaços.
    - Ótimo!
    Repartiu a presa em quatro partes e, tomando uma, disse:
    - Cabe a mim este pedaço, como rainha que sou das florestas.
    Os outros concordaram e a onça retirou a sua parte.
    - Este segundo também me cabe porque me chamo onça.
    Os sócios entreolharam-se.
    - E este terceiro ainda me pertence de direito, visto como sou mais forte do que todos vós.
    A irara interveio:
    - Muito bem. Ficas com três pedaços, concordamos (que remédio!); mas o quarto tem que ser dividido entre nós.
    - Às ordens! - exclamou a onça. - Aqui está o quarto pedaço às ordens de quem tiver a coragem de agarrá-lo.
    E arreganhando os dentes assentou as patas em cima.
    Os três companheiros só tinham uma coisa a fazer: meter a caudas entre as pernas. Assim fizeram e sumiram-se, jurando nunca mais entrar em Liga das Nações com onça dentro.

Monteiro Lobato

MORAL: "Esta fábula satiriza a hipocrisia das grandes nações (representadas pela onça), que falam em pactos e acordos mas na hora H empregam a força para fazer prevalecer seus interesses."
.::º::.Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez.::º::.[/color][/size]

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Re: As fábulas de La Fontaine e Esopo
« Responder #5 em: 06 de Fevereiro de 2005 - 21:13 »
 :yeah: muito obrigada pelas contribuições ..podes colocar aqui todas as fábulas que recordas da tua infância.... vamos tentar não esquecer a crinaça que ainda existe dentro de nós....  :-* --{--@

Offline Chapoquinha

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Re: As fábulas de La Fontaine e Esopo
« Responder #6 em: 06 de Fevereiro de 2005 - 21:21 »
Claro!
Pro tópico não ficar muito comprido, deixo aqui o link onde encontrei as fábulas de Monteiro Lobato^^

http://geocities.yahoo.com.br/mitologica_2000/fabulas.htm

Recomendo, especialmente, "O velho, o menino e a mulinha" e "O lobo e o cordeiro"
 --{--@
.::º::.Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez.::º::.[/color][/size]

32kika

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Re: As fábulas de La Fontaine e Esopo
« Responder #7 em: 12 de Fevereiro de 2005 - 00:19 »
 :yeah:


Fábula de Esopo


O LADRÃO E O CÃO DE CASA



Querendo um Ladrão entrar em uma casa de noite para roubar, achou à porta um Cão, que com ladridos o impedia. O cauteloso Ladrão, para o apaziguar, lhe lançou um pedaço de pão. Mas o cão disse: – Bem entendo que me dás este pão por que me cale, e te deixe roubar a casa, não por amor que me tenhas: porém já que o dono da casa me sustenta toda a vida, não deixarei de ladrar, se não te fores, até que ele acorde, e te venha estorvar. Não quero que este bocado me custe morrer de fome toda a minha vida.

32kika

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Re: As fábulas de La Fontaine e Esopo
« Responder #8 em: 19 de Fevereiro de 2005 - 12:31 »
A RAPOSA E O ESQUILO

Dos miseráveis não se deve escarnecer:
quem pode assegurar que só feliz vai ser?
Nas fábulas do sábio Esopo, mais
de um exemplo nos vem de casos tais.
Certa história, em vez deles, me parece
que lição mais autêntica oferece.
A raposa do esquilo escarnecia,
vendo-o assaltado por feroz tormenta.
- "Eis-te no esquife quase a repousar" - dizia. -
"Em vão tentas cobrir com a cauda o rosto.
Quanto mais sobes, mais a borrasca violenta
a seus golpes fatais te encontra exposto.
Ter por vizinho o raio e estar sempre na altura
quiseste, e foi teu mal. Eu, numa toca obscura,
posso rir-me e esperar que sejas feito pó."
Nossa raposa, enquanto assim se vangloriava,
muitos pobres franguinhos devorava
de uma dentada só.
Por fim, do irado céu tem o esquilo perdão:
o relâmpago cessa, emudece o trovão,
dissipa-se a tormenta e retorna a bonança.
E um caçador, havendo descoberto
os rastros da raposa, diz: "Por certo,
meus frangos vais pagar!"
Numerosos sabujos logo lança,
que a vão do seu covil desalojar.
Vê-a o esquilo fugir, veloz, à frente
da matilha que a acossa ferozmente.
Sentir prazer gratuito poderia,
ao se abrirem para ela as portas da agonia;
mas, vendo-o, não se ri: na mente
traz restos do susto recente . . .

32kika

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Re: As fábulas de La Fontaine e Esopo
« Responder #9 em: 19 de Janeiro de 2009 - 23:11 »
...já não me lembrava deste tópico... mas que agora se torna bem útil...
um dos projectos de turma que estou a desenvolver é precisamente a recolha de fábulas ... assim quando os Curiosos à Vista aqui voltarem já têm um tópico para os ajudar nas suas pesquisas...  ;)


O Leão e o Rato

Certo  dia, estava um Leão a dormir a sesta quando um ratinho começou a correr por cima dele. O Leão acordou, pôs-lhe a pata em cima, abriu a bocarra e preparou-se para o engolir.

- Perdoa-me! - gritou o ratinho - Perdoa-me desta vez e eu nunca o esquecerei. Quem sabe se um dia não precisarás de mim?

O Leão ficou tão divertido com esta ideia que levantou a pata e o deixou partir.

Dias depois o Leão caiu numa armadilha. Como os caçadores o queriam oferecer vivo ao Rei, amarraram-no a uma árvore e partiram à procura de um meio para o transportarem.

Nisto, apareceu o ratinho. Vendo a triste situação em que o Leão se encontrava, roeu as cordas que o prendiam.

E foi assim que um ratinho pequenino salvou o Rei dos Animais.

Moral da história:
Não devemos subestimar os outros.



 

Offline Gui®

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Re: As fábulas de La Fontaine e Esopo
« Responder #10 em: 02 de Outubro de 2009 - 22:19 »
Adoraveis contos que eu lia muito na minha infancia .. nos faz sonhar com a ingenuidade das criaturas que ali participavam e tambem nos fazia pensar sobre a moral que sempre se tinha no final ou no decorrer da historia  :yeah: :yeah:
"Moto é, e sempre será o melhor veículo, nunca cabe a sogra..."